Uroginecologia

Pessário vaginal: apoio sem cirurgia para o prolapso

O prolapso de órgãos pélvicos (quando útero, bexiga ou reto perdem sustentação e descem pela vagina) atinge muitas mulheres, principalmente após a menopausa. Nem sempre a resposta é cirurgia. O pessário vaginal é uma opção conservadora, segura e reversível. Abaixo, explico o que ele é, para quem costuma servir e como é o cuidado no dia a dia.

Médica explicando o tratamento a uma paciente
Foto: MART PRODUCTION / Pexels

O que é o pessário vaginal?

O pessário é um dispositivo de silicone medicinal, flexível e não absorvível, que se coloca dentro da vagina para dar suporte às paredes e sustentar os órgãos pélvicos que perderam sustentação. Ele funciona como um apoio interno: mantém as estruturas no lugar e alivia a sensação de peso ou de "bola" na vagina que muitas mulheres relatam.

É um tratamento conservador, ou seja, sem cirurgia. Segundo a FEBRASGO, o pessário é considerado primeira linha no tratamento do prolapso de órgãos pélvicos: um método efetivo, de baixo custo e com impacto positivo na qualidade de vida. E, por ser removível, é totalmente reversível, o que dá tranquilidade para experimentar antes de pensar em qualquer procedimento.

Para quem o pessário costuma ser indicado

O pessário é usado principalmente no prolapso genital (útero, bexiga ou reto descidos) e, em alguns modelos, também ajuda no controle da incontinência urinária de esforço, aquela perda de urina ao tossir, rir ou fazer atividade física.

Costuma ser uma boa opção para mulheres que:

  • não desejam operar naquele momento ou preferem uma alternativa antes da cirurgia;
  • têm contraindicação à cirurgia por outras condições de saúde;
  • ainda planejam ter filhos e querem adiar uma intervenção;
  • estão na pós-menopausa e convivem com o prolapso há algum tempo.

Se você quer entender melhor o quadro por trás dos sintomas, escrevi também sobre o levantamento de bexiga, que trata da bexiga caída (cistocele).

Sinais que valem uma conversa

Vale procurar avaliação quando há sensação de peso ou de algo saindo pela vagina, desconforto que piora ao ficar em pé por muito tempo, dificuldade para esvaziar a bexiga ou o intestino, ou perda de urina ao esforço. Esses sintomas costumam se acentuar ao longo do dia e melhorar ao deitar.

Nada disso significa, por si só, que o pessário é o caminho. É apenas o motivo para investigar com calma. O exame define o tipo e o grau do prolapso, e é isso que orienta a conduta.

Como é a colocação e a adaptação?

Existem vários formatos de pessário. Os de suporte, como o modelo de anel, são os mais usados porque se acomodam bem e, em muitos casos, permitem inclusive a atividade sexual sem precisar remover o dispositivo. Outros modelos, como o cubo, dão sustentação mais firme em prolapsos mais avançados.

Na consulta, avalio a medida da vagina e o grau do prolapso para escolher o tamanho e o modelo certos. A colocação é feita no consultório e, quando bem adaptado, o pessário não deve doer nem ser percebido no dia a dia. Costuma haver um período de ajuste até acertar o tamanho ideal, e isso é normal.

Importante: em mulheres na pós-menopausa, é comum associar o estrogênio vaginal em creme para manter a mucosa saudável e reduzir o risco de irritação. Essa decisão é individual e sempre avaliada em consulta.

Cuidados, higiene e acompanhamento

O pessário exige acompanhamento regular. O primeiro retorno costuma ser em poucas semanas para checar conforto, a integridade da mucosa e se o dispositivo está cumprindo o papel. Depois, as revisões seguem em intervalos definidos caso a caso, geralmente a cada poucos meses, para limpeza, avaliação e troca quando necessário.

Alguns modelos podem ser removidos e higienizados pela própria paciente; outros são retirados apenas no consultório. Nada disso é complicado, e oriento cada passo com você. Sinais que pedem contato antes do retorno agendado: dor persistente, corrimento com odor forte, sangramento ou dificuldade para urinar.

O que esperar: eficácia e limites?

Estudos mostram alívio dos sintomas na maioria das mulheres que aderem ao tratamento, com melhora relatada na qualidade de vida. Ainda assim, o pessário não corrige a anatomia: ele sustenta e alivia enquanto está em uso. Algumas mulheres se adaptam muito bem e seguem com ele por anos; outras preferem, mais adiante, discutir a cirurgia. As duas escolhas são legítimas.

Quando bem acompanhado, o pessário é seguro. As queixas mais comuns, como aumento do corrimento ou pequena irritação, costumam ser manejadas com ajuste de tamanho e cuidado da mucosa. É justamente o acompanhamento que mantém tudo tranquilo.

Importante: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta. A indicação do pessário, o modelo e o tamanho são sempre definidos individualmente, após exame.
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Em uma consulta consigo avaliar o tipo e o grau do prolapso com calma e explicar, sem pressa, as opções disponíveis, incluindo o pessário. Agende sua avaliação com a Dra. Quézia Prado.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

O pessário dói ou atrapalha o dia a dia?

Quando bem adaptado, não. Muitas mulheres nem percebem que estão usando. Pode haver um período de ajuste até acertar o tamanho ideal, e é normal precisar de pequenas correções nas primeiras revisões.

Dá para ter relação sexual usando pessário?

Depende do modelo. Alguns pessários de suporte, como o de anel, permitem a atividade sexual sem remoção. Outros precisam ser retirados antes. Isso é conversado na hora de escolher o dispositivo.

De quanto em quanto tempo preciso voltar ao consultório?

O primeiro retorno costuma ser em poucas semanas. Depois, as revisões seguem em intervalos definidos caso a caso, em geral a cada poucos meses, para limpeza, avaliação da mucosa e troca quando necessário.

O pessário serve para incontinência urinária?

Alguns modelos ajudam no controle da perda de urina de esforço, além de sustentar o prolapso. A avaliação individual define se esse é o caso e qual dispositivo se encaixa melhor. Explico mais em tratamento para incontinência urinária.

Usar pessário significa que não vou precisar de cirurgia?

Não necessariamente. O pessário é uma opção conservadora e reversível: sustenta e alivia os sintomas enquanto está em uso. Algumas mulheres seguem com ele por anos, outras optam pela cirurgia mais adiante. As duas escolhas são válidas e decididas juntas.

Depoimentos

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Consultório na Aldeota, Fortaleza · Estacionamento no local

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