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Incontinência urinária feminina: causas e como tratar
A incontinência urinária é a perda involuntária de urina. Ela afeta uma parcela grande das mulheres, principalmente a partir dos 40 anos e após a menopausa, mas não é uma consequência inevitável da idade nem algo com que você precise apenas conviver. Abaixo, eu explico com calma o que é, por que acontece e quais são os caminhos de tratamento.
O que é incontinência urinária?
A Sociedade Internacional de Continência define incontinência urinária como qualquer perda involuntária de urina. Na prática, é aquele escape que acontece na hora errada: ao tossir, rir, espirrar, carregar peso ou diante de uma vontade repentina de urinar que não dá tempo de controlar.
É uma queixa muito frequente no consultório e, ainda assim, cercada de silêncio e constrangimento. Muitas mulheres demoram anos para procurar ajuda, achando que é normal ou que não tem solução. Não é normal, e tem, sim, tratamento. O primeiro passo é conversar sem vergonha sobre o que está acontecendo.
Os três tipos mais comuns
Entender o tipo de incontinência é o que orienta todo o tratamento, por isso essa é a primeira coisa que investigo na consulta.
- Incontinência de esforço: a perda acontece durante o esforço físico, como tossir, espirrar, rir, pular ou levantar peso. Costuma estar ligada à fraqueza do assoalho pélvico ou à deficiência do esfíncter que segura a urina.
- Incontinência de urgência: é aquela vontade forte e repentina de urinar, que vem sem aviso e é difícil de segurar. Faz parte do quadro da bexiga hiperativa, muitas vezes acompanhada de aumento da frequência urinária e de idas ao banheiro durante a noite.
- Incontinência mista: a combinação das duas, quando a mulher perde urina tanto ao esforço quanto por urgência. É bastante comum.
Por que a incontinência acontece?
Não existe uma causa única. Em geral, ela resulta de uma soma de fatores que enfraquecem a sustentação da bexiga e da uretra ou que alteram o funcionamento da bexiga. Entre os mais frequentes estão:
- Gestações e partos, que sobrecarregam o assoalho pélvico
- A menopausa e a queda dos hormônios, que afinam e ressecam os tecidos da região
- Excesso de peso, que aumenta a pressão sobre a bexiga
- Prolapso genital, quando há queda dos órgãos pélvicos (a chamada bexiga caída)
- Tosse crônica, constipação e o próprio envelhecimento dos tecidos
Identificar o que pesa mais no seu caso ajuda a montar um tratamento que faça sentido para você, e não uma receita genérica.
Como é a avaliação?
A avaliação começa por uma boa conversa. Quero entender quando o escape acontece, com que frequência, o quanto atrapalha a sua rotina e como afeta o seu bem-estar. A partir daí, a investigação costuma incluir:
- Exame físico da região, para avaliar a força do assoalho pélvico e verificar sinais de prolapso.
- Diário miccional: um registro simples do que você bebe, das idas ao banheiro e dos escapes ao longo de alguns dias. Ele traz um retrato objetivo do seu dia a dia.
- Estudo urodinâmico, quando necessário. É um exame que mede como a bexiga enche e esvazia, ajudando a definir o tipo de incontinência em casos que geram dúvida ou antes de uma cirurgia.
Nem toda paciente precisa de todos os exames. O que pedir é decidido caso a caso, sem excessos.
Tratamentos sem cirurgia
Na maioria dos casos, o tratamento começa pelas opções mais simples e menos invasivas, que já resolvem ou melhoram bastante o quadro de muitas mulheres.
- Fisioterapia do assoalho pélvico: exercícios para fortalecer a musculatura que sustenta a bexiga e a uretra. Podem contar com recursos como biofeedback e eletroestimulação. É considerada a primeira linha para a incontinência de esforço.
- Mudanças comportamentais: treino da bexiga (espaçar aos poucos as idas ao banheiro), reduzir cafeína e álcool, ajustar a ingestão de líquidos e tratar a constipação.
- Perda de peso, quando há sobrepeso: mesmo uma redução modesta já alivia a pressão sobre a bexiga.
- Medicamentos: úteis principalmente na bexiga hiperativa, para diminuir a urgência. Em algumas mulheres na menopausa, o cuidado com os tecidos da região também ajuda. A prescrição é individual.
O pessário vaginal é outra opção conservadora que pode apoiar a bexiga em casos selecionados, especialmente quando há prolapso associado.
Quando a cirurgia entra em cena?
A cirurgia é considerada principalmente na incontinência de esforço moderada a grave, ou quando o tratamento conservador não trouxe o alívio esperado. A técnica mais conhecida é o sling: uma faixa fina, colocada por via vaginal sob a uretra, que devolve o apoio necessário para segurar a urina durante o esforço.
Quando a incontinência vem acompanhada de queda dos órgãos pélvicos, o levantamento de bexiga pode ser avaliado, às vezes em conjunto. Cada decisão cirúrgica é tomada com base no seu exame, no tipo de incontinência e no que você espera da sua qualidade de vida.
Escapes de urina estão atrapalhando a sua rotina?
Você não precisa conviver com isso em silêncio. Em uma consulta, avalio o seu caso com calma e explico as opções de tratamento, do mais simples ao cirúrgico. Agende com a Dra. Quézia Prado.
Dúvidas comuns
Perder urina ao tossir ou rir é normal com a idade?
É comum, mas não é normal no sentido de algo que você precise apenas aceitar. A incontinência urinária tem causas identificáveis e opções de tratamento em qualquer fase da vida. Vale investigar em vez de conviver.
Preciso operar para resolver a incontinência?
Na maioria das vezes, não. A fisioterapia do assoalho pélvico, as mudanças comportamentais e, quando indicado, os medicamentos já melhoram muito o quadro. A cirurgia é considerada em casos selecionados, principalmente na incontinência de esforço moderada a grave.
A fisioterapia do assoalho pélvico funciona mesmo?
Sim. Ela é considerada a primeira linha para a incontinência de esforço e também ajuda na bexiga hiperativa. Para dar resultado, os exercícios precisam ser feitos com regularidade e orientação adequada.
Como sei qual é o meu tipo de incontinência?
Isso é definido na avaliação, com a conversa, o exame físico e, quando necessário, o diário miccional e o estudo urodinâmico. Saber o tipo (esforço, urgência ou mista) é o que orienta o tratamento certo para você.
A menopausa tem relação com a incontinência?
Tem. A queda dos hormônios afina e resseca os tecidos da região, o que pode favorecer ou piorar os escapes. Por isso, o cuidado com o climatério faz parte da avaliação em muitos casos.
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Clínica Reinas
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